OBEDECER

Do Latim OB (atenção) + AUDIRE (escutar).

Atender a partir da escuta.

Essa escuta é, dentre muitas outras, dificuldade comum a todo o ser humano porque isso se aprende no decorrer da vida. Não se nasce sabendo ou, ao menos, não há predisposição fisiológica para isso que não seja somente a percepção dos ouvidos.

Só que para o praticante de um sistema de Kung Fu ela é essencial, pois não existe nenhuma possibilidade de desenvolvimento humano sem ela. A escuta a que me refiro aqui é subjetiva e é ela que dá ao praticante o andamento apropriado das conexões. Como eu respondo se não escutei?

Quando entendi que me seria útil viver a vida-Kung Fu nem estava ciente do quanto, à parte de desenvolver marcialidade para tudo na vida – afinal se eu não ocupo meu meio entram um monte de golpes – eu precisava lidar com meu lado “burro”. Aqui nesse sistema não procuro olhar para minhas habilidades ou competências, mas sim para onde eu não sou eficiente.

Uma dessas minhas debilidades é e sempre foi a desobediência. Porque? Porque ela normalmente esteve associada à lida com figuras autoritárias, as quais, em suas ordens a mim nem sempre acertavam. Em muitas vezes erravam. Mas é parte do jogo da vida lá fora desenvolver discernimento. É inclusive indispensável essa busca, ao menos na maneira como conduzo minha vida..

Entretanto, a relação com um Si Fu, pede o olhar em outra perspectiva.

O Si Fu é alguém que já viveu, já viu, já negou, já questionou e já desobedeceu em vida-Kung Fu e que quando aciona nossa obediência, está comprometido, não com um ato de mandar, tal qual um patrão, mas com o desenvolvimento dos seus To Dai (discípulos) naquilo que vê como necessário e benéfico para eles.

Nesses dias recentes pela Visita Oficial do Mestre Senior Julio Camacho – meu Si Fu – ao Rio de Janeiro, vi o quanto simples compromissos meus não cumpridos geraram problemas e uma tomada de consciência.

Um exemplo disso são estes Registros Orientados de Vida-Kung Fu, que são parte indispensável para quem é membro vitalício de sua Família (Moy Jo Lei Ou). Esses registros nada tem a ver com outra coisa senão com revisitarmos cada experiência individualmente com a finalidade de aprender com elas.

Quantas experiências já ficaram perdidas pelo caminho desde que me tornei membro vitalício? Quanto conteúdo eu já “engoli” compulsivamente e perdi a chance de, devolvendo ao Si Fu por esta via, transformar algo inconveniente em mim?

Não é fácil para mim essa parte. Confesso que não tenho interesse natural em escrever, que dependo de motivação por assuntos específicos, que tenho um desconforto grande pelo tempo que levo escrevendo e é aí é que está minha disfunção.

Kung Fu à Mesa – Si Fu, meus Si Hing Thiago Pereira e Guilherme de Farias

Na relação Si Fu-To Dai pouco importa o que quero, prefiro ou gosto. Se meu Si Fu solicita essa devolução, tem que ser feita. Isso é parte do trabalho. É compromisso dele comigo escutar de mim tudo aquilo que venho desenvolvendo pela relação com ele e é compromisso meu com ele escutá-lo com atenção.

Atendê-lo quando o escuto.

E pronto.

A discípula de Mestre Senior Julio Camacho, Carmen Maris (Moy Kat Ming)

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s