A GUARDA

Esta sim, chave do desenvolvimento da marcialidade juntamente à base.

A guarda – Jong Sau no sistema Ving Tsun.

Um “Jong Sau” montado pelo Si Fu Julio Camacho a partir de um conhecido “emoji”

Esse é de longe meu tema predileto e ainda falarei aqui sobre ele.

Se tenho algo inicial a dizer sobre aplicação efetiva da marcialidade que desenvolvo a cada dia pela prática do Ving Tsun, é o quanto eu simplesmente não sabia estar em guarda. Se estive não fui estratégica. Não tinha consciência dela. Não conhecia sua mecânica, não tinha noção de que estar em guarda é ocupar meu próprio espaço com legitimidade para qualquer coisa que venha do externo. Não é ficar “na defensiva”, como se diz. Só entendi isso na vida-Kung Fu.

Demonstrando a guarda com Si Gung Leo Imamura

Perguntei ao Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, como se passa ao praticante novo essa noção de guarda sendo que ele pode desconhecer posicionamentos, base e movimentos:

— Isso só pode ser transmitido de maneira física. Não se pode “despertar” a guarda dele falando. É na via prática que ele vai sentir a necessidade e então entrar em Jong Sau – esclareceu.

Tenho visto muito, principalmente nos negócios o valor da guarda. Diante de um orçamento proposto por um fornecedor minha tendência era aceitar de primeira, afinal, no meu “não-estado de guarda” cada um sabe quanto vale o que vende, ou seja, eu não discutia valores. Da mesma forma com propostas de remuneração para trabalhos meus: para não perder, aceitava o proposto. Como se não quisesse contrariar.

No entendimento que tenho hoje a guarda é essencial para que qualquer processo ande de maneira genuína.

Si Hing Roberto Viana, eu e meu meio

O que quero dizer de importante da guarda não é a ferramenta de ocupação do meio na prática de Ving Tsun em si, mas sim é o estado de guarda. O estado mental de guarda. É ele que nos mantém prontos para qualquer troca que o cenário peça.

A guarda eficaz tem neutralidade: não tende para um lado e nem para outro. Sempre haverá uma parte desguarnecida se polarizarmos e para isso precisamos estar neutros e relaxados. Quem fica tenso perde a guarda. Quem fica mole também.

Nunca sabemos se o outro está em guarda.

O que sei é que eu, agora com um olhar de quem dá muito valor a ela, procuro estar.

A discípula de Mestre Sênior Julio Camacho, Carmen Maris (“Moy Kat Ming“)

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