ELOS

Relações tem elos.
Todas.
Pais com filhos, amigos, casais.
Tal qual as correntes de aço.
Ainda mais as relações que são estáveis, pois contam com a integridade deles para se manterem em sustentação.


Os elos de metal sempre correm o risco de afrouxar e ceder com o tempo e com o peso colocado ali. Essa é lei da Física. E nisso a corrente se rompe.
Entretanto, há algo que o metal não tem e o ser humano sim: o coração.

As relações no Molam (Floresta Marcial, chamada “Família-Kung Fu”) são sustentadas e mantidas não por outra coisa, senão por elos construídos e fortalecidos constantemente.
Esses elos são os membros da Famíia-Kung Fu a que pertencemos.

Quando fiz minha admissão na Família Moy Jo Lei Ou – apesar de ser tudo novidade para mim e para a Família – sabia que eu seria um novo elo entrando naquela corrente.

Minha cerimônia de Admissão na Família-Kung Fu no ano de 2018

Meu Si Fu, Mestre Sênior Julio Camacho, sempre deixou claro para mim o quanto é crucial que tenhamos entre os membros praticantes a responsabilidade no desenvolvimento do outro em seu Kung Fu.
O sentido de Humanidade.

Bem no início das práticas eu não entendia bem esse sentido de Humanidade e de colaborar no desenvolvimento do outro.
Eu achava que se meu irmão-Kung Fu chegava atrasado para a prática eu devia protegê-lo das consequências e assim ele não ficaria constrangido.

Lêdo engano o meu.

Se eu explicasse tudo que foi feito antes de ele chegar para que ficasse mais confortável, ele certamente perderia a chance de lidar com a consequência do seu atraso e não aprenderia nada.
Vejo isso por mim mesma quando me atraso ou quando não cumpro com algo que me comprometi a fazer em tempo. Tenho então meu Si Fu e Si Hing (que não me avisam do meu erro) para me ajudar a ver – é até um paradoxo.

Mestre Sênior Julio Camacho. Nosso Si Fu.

Ninguém tem obrigação de ajudar a me desenvolver.
Porém, em Família-Kung Fu isso tem outro contexto.

As relações entre praticantes – mais antigos e mais novos – são o que necessitam serem elos fortes para que esse desenvolvimento ocorra.
É notando num golpe do outro que vemos que abrimos a linha central. Só na experiência vemos isso. Sem que nos alertem. Sem que nos previnam.
É na experiência que entendemos e aprendemos. Isso depende desse elo com o outro.

Ontem, dia 16 de janeiro de 2020 tive uma notável experiência de desenvolvimento-Kung Fu com, dentre outros, minha Si Jeh Maria Alice Teixeira (“Moy Wah Lei Si”), que cresceu na Família – numa prática do Programa Fundamental conduzida pelo Si Hing Guilherme de Farias (“Moy Fat Lin”).
Num dado momento da prática, após repetidos dispositivos, eu acertei (ou ajustei) um e ela me disse algo como:

“Como eu gosto de ver a evolução do praticante na mesma sessão”.

Minha prática com Si Jeh Maria Alice, Si Jeh Rúbia e outros irmãos

Esses dizeres me tocaram o coração, afinal, vieram de seu coração também.
Minha irmã-Kung Fu mais antiga notou e apreciou meu aprendizado.

Ali vi, mais do que nunca, um elo de verdade. E forte.

É dele que preciso para desenvolver esse Kung Fu desejado, proposto pelo meu Si Fu, e disposto a ser amadurecido.

A Discípula de Mestre Sênior Julio Camacho, Carmen Maris (“Moy Kat Ming”)

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