O aconselhar e o orientar

Hoje foi uma das manhãs em que alguns discípulos de Mestre Julio Camacho se reúnem com ele para os Encontros Temáticos Remotos – um essencial instrumento da Família Moy Jo Lei Ou.
Ele é feito com uma ferramenta de videoconferência e tem por objetivo a discussão de variados temas sob a ótica-Kung Fu, especialmente nesse momento, que precede a internacionalização do Clã com a mudança dele e Si Mo para a América do Norte.

Faço parte desse grupo das manhãs de segundas-feiras e me ocorreu um tema que gostaria de explorar com o Si Fu e meus Irmãos-Kung Fu.

Mestre Julio Camacho

Acho que eu não tinha muito claros os conceitos de aconselhamento e orientação vindos de um Si Fu. Após o encontro de hoje ficou mais claro que eu estava confundindo os termos.

De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa:

Conselho – Parecer, juízo, opinião. Advertência que se emite. Admoestação, aviso.

Contudo, a definição do verbete no dicionário não vai a fundo no conceito que queria compreender melhor.

Desde o começo de minha vida-Kung Fu, vejo que o Si Fu não só tem influência técnica no desenvolvimento marcial dentro da parte prática do Sistema Ving Tsun, mas também nas experiências da esfera pessoal dos discípulos de acordo com suas solicitações.
Acreditava que de um Si Fu se tem, não só a direção no sistema, mas também aconselhamento.

O que nessa perspectiva é feito por ele não é aconselhar, mas sim orientar, dentro, é claro, da perspectiva marcial.

Quando alguém dá um conselho, este vem de uma visão particular da pessoa. Tem uma carga afetiva, de referências muito próprias, logo, pode não ter qualquer aplicabilidade ao caso de quem pede.

Geralmente os pais, em condição auto-referente, enchem os filhos de conselhos como:

– “Vai por mim, filho. Eu já passei por isso, sou mais velho, já vivi e sei o que estou dizendo. Deu certo para mim, logo dará para você”.

Orientação – Direção, guia ou regra.
Fase do ciclo docente em que o professor acompanha, utilizando técnicas, recursos e procedimentos adequados, a marcha do aprendizado de seus alunos.

Apesar de a definição do verbete acima também não traduzir o teor que me interessava, vi que o que o To Dai tem do Si Fu é mais parecido com a orientação e não com o conselho.

Uma hipótese:

“Si Fu, minha sogra veio morar em casa. Desde que isso aconteceu não tenho mais sossego. Ela me invadiu e agora não tenho mais voz ativa na família”.

O que em um caso assim ele faz é avaliar o cenário de acordo com seus elementos e com o conhecimento que tem daquele discípulo e suas tendências, e estimular sua inteligência estratégica, afinal, ele mesmo há de tomar uma direção por si se aproveitar do que vem e dos recursos que a marcialidade em si oferece.

Talvez eu tivesse uma idéia antiquada do valor de um “conselheiro”. Um Si Fu não corresponde a essa figura, que toma decisões pelos outros.

Em vida-Kung Fu tudo é para o desenvolvimento do ser que o busca e pratica.
Saber pelo outro o que fazer não tem eficácia. Nem sendo o Si Fu.

Si Fu e To Dai

Acho que de certa forma correspondente a isso, se usa a metáfora da “lente”.
É uma maneira de ver o cenário.
A resposta não será dada pelo Si Fu.
Ela terá que ser vista.

Eu, de olhos acidentalmente fechados na foto, mas abertos o tempo todo.

Ver – (verbo transitivo direto)
Conhecer ou perceber pela visão.

Não se vê com os olhos do outro.

A discípula de Mestre Senior Julio Camacho, Carmen Maris (“Moy Kat Ming”)

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