O que entendo sobre a “lente-Kung Fu” na vida

De uma maneira geral, quando um admirador das Artes Marciais se matricula em uma escola, busca aprender a lutar. Ele “vai à luta” de um lugar que o ensine a ter as habilidades do combate. Pode o sistema ser dentro do Judô, do Karatê, do Jiu-Jitsu, do Tae-Kwon-Do, do Aikidô, do Boxe Tailandês, do Muay Thai, do Krav Magá e também o Kung Fu, entre outros.

Sobre aprender a lutar, meu Si Fu, Mestre Sênior Julio Camacho, nos transmite uma idéia muito clara: a de que “luta” tem a ver com matar ou morrer.

Os esportes de combate são o que efetivamente buscam aqueles aspirantes à aplicação das técnicas marciais em situações de briga.

Imaginemos uma situação onde uma pessoa precisa da tal “defesa pessoal”. Essa pode não ser uma situação que requer defesa, mas sim auto-afirmação. Essa pessoa pode querer impor sua força física e apenas isso. Poucos sabem que Arte Marcial não é luta e nem esporte de combate. Muito provavelmente se decepcionam quando, e se descobrem, que que nada disso é Arte Marcial.

O Kung Fu no Sistema Ving Tsun transmite a visão do combate simbólico. Não que ele não sirva para uma luta — nas palavras do Patriarca Moy Yat, ele até serve para isso.

O Sistema mostra o valor simbólico do combate.

Si Hing Fernando Xavier e Si Hing Roberto Viana

Em todos os domínios do Sistema Ving Tsun existem ferramentas que levam o praticante a entender cada movimento como algo que ele pode aplicar em qualquer setor da vida quotidiana.

Estou trabalhando no nível básico – O Siu Nim Tau. Esse domínio pede “menos”: Menos energia, menos vontade, menos força, menos avanços. Não é essa a hora de usar essa nossa parte “Yang”.

Eu, particularmente, sinto que sou uma pessoa com mais elementos “Yang” do que “Yin”. Tendo a ser mais animada , energética e isso normalmente não muda muito.  Até minha rotina profissional me exige muito isso. Acaba que me habituo a viver dias que começam ás 6 da manhã e acabam 4 da manhã do dia seguinte precisando estar atenta e de ótimo humor, como se todo mundo vivesse isso naturalmente.

Com Siu Nim Tau vejo que a vida me convida ao “menos é mais”.

Si Hing Sandro e eu, em prática de Siu Nim Tau

Recentemente, durante a prática no domínio Siu Nim Tau, passei por uma pneumonia – só fiquei doente dela há 27 anos. Entendi então que nisso, dentre outras situações, estava sendo mobilizada pela vida ao Siu Nim Tau. Não pela doença, mas pela necessidade do meu momento a fazer “menos esforço”, agir com “menos vontade”, a gastar “menos energia”.

Vejo que entrar no Sistema Ving Tsun quer dizer desenvolver tudo dele na vida dentro e fora do Mo Gun.

Do Siu Nim Tau, passamos a ver quando a vida nos convida a Cham Kiu…a Biu Ji…e assim vamos.

É só abrir os olhos e pôr a lente.

Discípula de Mestre Sênior Julio Camacho, Carmen Maris (“Moy Kat Ming”)

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