O certo, o errado e o apropriado – Qual já (ou ainda) é o nível do meu Kung Fu?

A sociedade é confusa em relação a valores e parece não entender o melhor meio de saber tomar decisões. A cultura ocidental especialmente, imbuída de ensinamentos definitivos, associa o “certo” à “verdade” (aquela contrária à mentira) sem saber o quanto nem sempre essa verdade direta e inocente pode prejudicar.

Baseia-se em comparativos sociais para se ver agindo corretamente.

Associa a mentira ou a omissão ou ao necessariamente “errado”. Associa a boa conduta a falar sempre a verdade, seja lá o que for que isso acarrete. Só autentica as ações dos outros de acordo com as suas.

O que passa despercebido é uma linha muito particular, que é notar o apropriado para cada situação. Questão essa que justifica e é condicional para qualquer ato eficiente.

Kung Fu diz respeito a esse “apropriado”.

Si Fu escrevendo os ideogramas de Kung Fu em nosso Seminário de Alinhamento Teórico

Meu Si Fu sempre faz questão de nunca ser modelo de certo na prática do Ving Tsun. Não existe certo. Aliás, em nenhuma situação. Não ajudam as comparações com os outros. Certo daria a idéia de fixo, estático, definitivo, e a vida pede a todo momento flexibilidade e aplicação individual. A vida é movimento constante.

Em uma prática minha de Siu Nim Tau ao lado de meu irmão Kung Fu Rafael Pombo, nosso Si Hing André Guerra nos propôs fazê-lo no modo lento – esperando o nosso próprio Siu Nim Tau se manifestar naturalmente.

Essa experiência “verdadeira” para mim foi clara e eficaz.

— Espere o Tan Sau sair naturalmente, sem acelerá-lo. – disse o Si Hing.

Foi exatamente isso que aconteceu.

Com a espera estratégica deixei que ele saísse, e o que antes era um posicionamento acelerado, provocado e deliberado partindo em direção ao meu centro se converteu no melhor e mais genuíno Tan Sau que já partiu de mim. Era uma questão individual mesmo e nunca adiantaria ele ou o próprio Si Fu me dizer como fazer. Era o apropriado para mim e daí parte toda a linha de pensamento do que é apropriado nas situações que se apresentarão.

Nem sempre há um erro claro em uma atitude, assim como em um movimento no Ving Tsun, e nem um acerto, por mais que este pareça claro e previsível. Pessoalmente vejo que nós só realmente aprendemos quando despolarizamos.

Yin & Yang

Quando cheguei à Moy Yat Ving Tsun, o mesmo Si Hing André me perguntou:

— O que você busca com a prática do Kung Fu?

Eu respondi

— Despolarizar.

Ou seja, sair da fixidez de um lado ou de outro. Da verdade e da mentira. Do certo e do errado. Eu queria de verdade esse apropriado. 


Discípula de Mestre Sênior Julio Camacho, Carmen Maris (“Moy Kat Ming”)


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